sábado, 16 de julho de 2011

Me pergunto quando e quanto nos perdemos

 
Eu vi o menino correndo
Eu vi o tempo
Brincando ao redor do caminho daquele menino
Eu pus os meus pés no riacho 
E acho que nunca os tirei
O sol ainda brilha na estrada e eu nunca passei

Eu vi a mulher preparando
Outra pessoa
O tempo parou pr'eu olhar para aquela barriga
A vida é amiga da arte
É parte que o sol me ensinou
O sol que atravessa essa estrada que nunca passou


16 de julho de 1958

Por isso uma força me leva a cantar
Por isso essa força estranha
Por isso é que eu canto não posso parar
Por isso essa voz tamanha

Eu vi muitos cabelos brancos na fronte do artista
O tempo não para e no entanto ele nunca envelhece
Aquele que conhece o jogo
Do fogo das coisas que são
É o sol
É a estrada
É o tempo
É o
É o chão

Eu vi muitos homens brigando
Ouvi teus gritos
Estive no fundo de cada vontade encoberta
E a coisa mais certa de todas as coisas
Não vale o caminho sob o sol
E o sol sobre a estrada
É o sol sobre a estrada
É o sol


(Caetano Veloso)

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