Prometo contar alguns fatos relevantes sobre meus queridos e queridas amigas. Na verdade existe um Top Top, onde é preciso votar pra saber quem é mais Top no quesito Zé Ruella. Mas pra não dizerem que eu só sei falar da vida alheia, vou começar contando o que aconteceu comigo, e olhe, foi ontem mesmo. Descia eu pela Grão Mongol, quando vi um senhor de idade, cego se debatendo com uma kombi. Boa pessoa que sou - e ninguém mais se dispôs a isto - fui até ele e perguntei se queria que o ajudasse a atravessar a rua. Ele me disse que queria ir pra Contorno, e eu me prestei a guiá-lo. Porém, ele me veio com um pedaço de cartolina com alguns furos e escrito o alfabeto à mão - segundo ele é em braile - me ofereceu por R$ 5,00. Provou ser cego, pois qualquer um pode ver que eu tô na maior dureza. Quando lhe disse que não tinha dinheiro, ele me veio com um papo:
- Você já almoçou hoje? (já passava das 5 horas)
- Sim! Respondi.
- Pois é, eu não! - Neste momento percebi que ele queria me comover, como não tinha mesmo dinheiro fiquei calado.
- Ainda bem que eu não coloquei nada na boca - continuou, na esperança que eu sacasse pelo menos a "garça" da carteira - Comida é pra rico - insistiu. Nós pobres não temos este direito. Deus deu tudo pros ricos e nada pros pobres.
Permaneci em silêncio, havia se estabelecido uma batalha da sobrevivência contra a paciência, e sairia vencedor aquele que fosse mais persistente.
Pobre velho, ele não me conhece. Cansado e derrotado, ficou por ali, e eu, desci rumo a Contorno com o gostinho da vitória.
Obs. Não sou uma pessoa ruim, mas não venha tentar me comover com chantagem barata, além do mais, era mais fácil eu parar ali pra pedir ajuda também
Qualquer dia desse conto da minha amiga que resolveu ir pra Argentina, sem identidade, passaporte ou coleira de identificação...
Bjão