Todas as cartas de amor
São ridículas
Não seriam cartas de amor
Se não fossem ridículas
Também escrevi, no meu tempo,
Cartas de amor como as outras,
Ridículas
As cartas de amor, se há amor
Têm de ser ridículas
Quem me dera o tempo,
Em que escrevia
Sem dar por isso, cartas de amor,
Ridículas.
Afinal, só as criaturas
Que nunca escreveram cartas de amor
É que são ridículas
Fernando Pessoa
(Álvaro Campos)
Em Tempo: Maria Bethânia musicou esse belo poema...
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