sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Pessoa, sempre Pessoa

O Guardador de Rebanhos

VII

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo...
E não do tamanho de minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe do céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar.
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.


("Pus no Caeiro todo o meu poder de despersonalização dramática, pus em Ricardo Reis toda a minha disciplina mental, vestida da música que lhe é própria, pus em Alvaro de Campos toda a a emoção que não dou a mim nem à vida")

Fernado Pessoa (1888 - 1935)



Um comentário:

Aldrin Iglesias disse...

Imperador?
Pq vc não entre em uma livraria e proclama:

- Eu quero, Editora Nova Aguilar, eu quero! Para mim, a obra completa de Fernando Pessoa. Para meu marechal, o Aldrin, campeão da batalha de Estrombosky, a obra completa de Leon Tolstói. E ai de quem não obedecer. Cabeças rolarão!